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Amon Düül II


Por ter uma discografia muito grande, dividi o download em 5 partes.
Download Free 3,26GB
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Phallus Dei 1969
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
FAIXAS:
1. Kanaan (3:56) 
2. Dem Guten, Schönen, Wahren (6:00) 
3. Luzifers Ghilom (8:02) 
4. Henriette Krötenschwanz (1:59) 
5. Phallus Dei (20:45)
Bonus tracks on 2002 Repertoire CD (previously unreleased):
6. Freak Out Requiem I (4:02)
7. Freak Out Requiem II (3:47)
8. Freak Out Requiem III (0:42)
9. Freak Out Requiem IV (7:49)
10. Cymbals in the End (0:31)
Track-list of the 2006 Revisited Records CD:
1. Phallus Dei (20:49)
2. Kanaan (4:03) 
3. Dem Guten, Schönen, Wahren (6:14) 
4. Luzifers Ghilom (8:35) 
5. Henriette Krötenschwanz (2:03) 
Bonus:
6. TouchMaPhal (10:17)
7. I Want The Sun To Shine (10:32)
Total Time: 58:35

MEMBROS:
- Christian "Shrat" Thiele / bongos, violin, vocals
- Renate Knaup / vocals, tambourine
- John Weinzierl / 12-string-bass, guitar
- Chris Karrer / violin, guitar, 12-string guitar, soprano sax, vocals
- Falk-Ulrich Rogner / organ
- Dave Anderson / bass
- Dieter Serfas / drums, electric cymbals
- Peter Leopold / drums
convidados
- Holger Trülzsch / Turkish drums
- Christian Burchard / vibraphone




Yeti 1970
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.

FAIXAS:
1. Soap Shop Rock:
- a. Burning Sister (3:41)
- b. Halluzination Guillotine (3:05)
- c. Gulp A Sonata (0:45)
- d. Flesh-Coloured Anti-Aircraft Alarm (5:53)
2. She Came through the Chimney (3:56)
3. Archangels Thunderbird (3:30)
4. Cerberus (4:18)
5. The Return of Ruebezahl (1:35)
6. Eye-Shaking King (6:37)
7. Pale Gallery (2:11)
8. Yeti (Improvisation) (18:00)
9. Yeti Talks to Yogi (Improvisation) (6:06)
10. Sandoz in the Rain (Improvisation) (8:55)
Bonus tracks on 2002 Repertoire release:
11. Rattlesnakeplumcake (3:18)
12. Between The Eyes (2:29)
Total Time: 1:08:15

MEMBROS:
- Renate Knaup / vocals, tambourine
- Chris Karrer / violin, guitars, vocals
- John Weinzierl / guitars, vocals
- Falk Rogner / organ
- Peter Leopold / drums
- Dave Anderson / bass
- Shrat / bongos, vocals
convidados
- Rainer Bauers / guitar, vocals (10)
- Ulrich Leopold / bass (10)
- Thomas Keyserling / flute (10)





Tanz Der Lemminge 1971
(Dance Of The Lemmings)
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
FAIXAS:
1. Syntelman's March of the Roaring Seventies (15:50) 
- a. In the Glassgarden (1:39)
- b. Pull Down Your Mask (4:39)
- c. Prayer to the Silence (1:04)
- d. Telephonecomplex (8:26)
2. Restless Skylight-Transistor-Child (19:33) 
- a. Landing in a Ditch (1:12)
- b. Dehynotized Toothpaste (0:52)
- c. A Short Stop at the Transylvanian Brain Surgery (5:00)
- d. Race from Here to Your Ears 
I) Little Tornadoes (2:08)
II) Overheated Tiara (1:46)
III) The Flyweighted Five (1:26)
- e. Riding on a Cloud (2:33)
- f. Paralized Paradise (3:07)
- g. HG Well's Take Off (1:26)
Chamsin Soundtrack:
3. The Marilyn Monroe-Memorial-Church (18:09) 
4. Chewing Gum Telegram (2:45) 
5. Stumbling over Melted Moonlight (4:38) 
6. Toxicological Whispering (7:48) 
Total Time: 1:00:51

MEMBROS:
- Karl-Heinz Hausmann / electronics 
- Chris Karrer / acoustic & electric guitars, violin, vocals 
- Peter Leopold / drums, percussion, piano 
- Lothar Meid / bass, double bass, vocals 
- Falk U. Rogner / organ, electronics 
- John Weinzierl / acoustic & electric guitars, vocals, piano 
+
- Al Gromer / sitar 
- Jimy Jackson / organ, piano, choir 
- Henriette Kroetenschwanz / vocals 
- Rolf Zacher / vocals




Carnival In Babylon 1972
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
FAIXAS:
1. C.I.D. In Uruk (5:30)
2. All the Years 'Round (7:20)
3. Shimmering Sand (6:33)
4. Kronwinkl 12 (3:52)
5. Tables Are Turned (3:34)
6. Hawknose Harlequin (9:48)
Some CD releases contain different bonus tracks
Bonus tracks on Gammarock Records CD (2000):
7*. Light (3:50)
8*. Between the Eyes (2:28)
9*. All the Years Round (4:11)
10*. Castaneda Da Dream (7:46)
Total Time: 57:42
Bonus tracks on Repertoire Records CD (2002):
7**. Light (3:47)
8**. Lemmingmania (2:57)
9**. Between the Eyes (2:24)
10**. All the Years 'Round (Single Version) (4:10)
Bonus tracks on Revisited Records (2) (2007) and Belle Antique (2009) CDs:
7***. Skylight (9:50)
8***. Tatzelwurmloch (17:45)

Releases information
LP United Artists UAG 29327 (1972 UK)
LP United Artists UAS 29 327 (1972 France)
LP United Artists UAS-5586 (1972 US)
CD Mantra Records MANTRA 063
CD Captain Trip Records CTCD-033 (1996 Japan)
CD Gammarock Records GRR 83 802 (2000 Germany), contains 4 bonus tracks (*)
CD Repertoire Records REP 4986 (2002 Germany), contains 4 bonus tracks (**)
CD Revisited Records REV 078 (2007 Germany), contains 2 bonus tracks (***)
CD Belle Antique BELLE 091492 (2009 Japan), contains 2 bonus tracks (***)

MEMBROS:
- Danny Fichelscher / drums, congas 
- Karl-Heinz Hausmann / keyboards, electronics 
- Chris Karrer / acoustic & electric guitars, violin, soprano sax, vocals 
- Renate Knaup-Krötenschwanz / vocals 
- Peter Leopold / drums, tambourine 
- Lothar Meid / bass, vocals 
- John Weinzierl / acoustic & electric guitars, vocals 
+
- Joy Alaska / backing vocals 
- Olaf Kübler / soprano sax, door 
- Falk U. Rogner / organ




Wolf City 1972
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
FAIXAS:
1. Surrounded by the Stars (7:46) 
2. Green-Bubble-Raincoated-Man (5:04) 
3. Jail-House Frog (4:54) 
4. Wolf City (3:20) 
5. Wie der Wind am Ende einer Strasse (5:42) 
6. Deutsch Nepal (3:00) 
7. Sleepwalker's Timeless Bridge (4:55)
Bonus tracks on 2000 Gammarock Records CD:
8. What You Gonna Do (6:37)
9. Las Vegas (4:19)
10. Mueller's Frau - Jam (10:53)
Bonus tracks on 2007 Revisited Records and 2009 Belle Antique CDs:
8. Kindermörderlied (6:02)
9. Mystic Blutsturz (10:13)
10. Düülirium (4:24)
Total Time: 48:58

MEMBROS:
- D. Secundus Fichelscher / drums, vocals (4-7), guitars (7) 
- Chris Karrer / acoustic & electric guitars, violin, Soprano sax, vocals 
- Renate Knaup-Krötenschwanz / vocals 
- Lothar Meid / bass, synthesizers, vocals 
- Falk U. Rogner / organ, Clavioline, synthesizers 
- John Weinzierl / electric guitar, vocals 
+
- Al Sri Al Gromer / sitar (5) 
- Paul Heyda / violin (5) 
- Jimmy Jackson / piano, choir organ 
- Olaf Kübler / vocals (2), sax (5) 
- Pandit Shankar Lal / tablas (5) 
- Peter Leopold / vocals (2), synthesizers (3), kettle drums (5) 
- Liz van Nienhoff / tambura (5) 
- Rolf Zacher / vocals (2-6)




Live in London 1973
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
FAIXAS:
1. Archangels Thunderbird (3:07) 
2. Eye Shaking King (6:24) 
3. Soap Shop Rock (7:42) 
4. Improvisation (3:40) 
5. Syntelman's March Of The Roaring Seventies (8:08) 
- a. Pull Down Your Mask 
- b. Prayer To The Silence 
- c. Telephonecomplex 
6. Restless Skylight-Transistor Child (8:42)
- a. Landing In A Ditch
- b. Dehypnotized Toothpaste 
- c. A Short Stop At The Transylvanian Brain Surgery 
7. Race From Here To Your Ears (5:06) 
- a. Little Tornados 
- b. Riding On A Cloud 
- c. Paralized Paradise
Bonus Tracks (Mystic Records CD Only)
8. Bavarians Soap Shop Rock (17:44) 
9. Improvisation On Gulp A Sonata (2:54)
Total Time: 1:02:35

MEMBROS:
- John Weinzierl / guitars, vocals 
- Lothar Meid / bass and vocals 
- Chris Karrer / guitar, violin, soprano sax 
- Falk-U. Rogner / organ, synthesizer 
- Renate Knaup-Krötenschwanz / vocals 
- Daniel Fichelscher / drums 
- Peter Leopold / drums




Utopia 1973
(Lothar Meid - solo album)
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
FAIXAS:
1. What You Gonna Do (6:37)
2. The Wolf-Man Jack Show (5:05)
3. Alice (3:06)
4. Las Vegas (4:25)
5. Deutsch Nepal (3:08)
6. Utopia No. 1 (4:00)
7. Nasi Goreng (5:33)
8. Jazz-Kiste (5:30)
Bonus tracks on CD release 1994:
9. Surrounded By The Stars [Wolf City] (3:27)
10. Let's Feel Alive [Surrounded By The Stars] (7:45)
11. Deutsch Nepal/Rolf Zacher Voc. [Landing In A Ditch] (5:37)
titles in brackets are the correct names - track 9/10 originally taken from the Amon Düül II album 'Wolf City', track 11 from 'Live in London'
Bonus tracks on CD release 2000:
12. Goldrush (2:56)
13. Star-Eyed (4:29)
14. Dr. Stein (3:45)
from the 18 KARAT GOLD release 'All-Bumm' (1973)
Total Time: 1:04:59

MEMBROS:
- Lothar Meid / bass, vocals
- Olaf Kübler / saxophon
- Kristian Schultze / keyboards
- Jimmy Jackson / organ
- Joe Nay / guitar
convidados
- Chris Karrer / guitar
- John Weinzierl / guitar
- Renate Knaup-Krötenschwanz / vocals

"18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) line-up
- Lothar Meid / bass
- Jörg Evers / rhythm guitar
- Klaus Ebert / lead guitar
- Keith Forsey / drums




Vive la Trance 1974
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
FAIXAS:
1. A morning excuse (3:19) 
2. Fly United (3:33) 
3. Jalousie (3:27) 
4. Im Krater blühn wieder der Bäume (3:08) 
5. Mozambique (7:40) 
6. Apocalyptic bore (6:38) 
7. Dr. (3:00) 
8. Trap (3:35) 
9. Pig man (2:38) 
10. Mañana (3:20) 
11. Ladies mimikry (3:18)
12. Hands Up, Fool (6:15)
13. Pink Purple (7:05)
14. Look (4:59)
15. Bomb (4:12)
Total Time: 1:07:39

MEMBROS:
- Robby Heibl / bass, acoustic guitar, violin, vocals 
- Chris Karrer / acoustic & electric guitars, violin, saxophone, vocals 
- Renate Knaup-Kroetenschwanz / vocals 
- Peter Leopold / drums, percussion 
- Lothar Meid / bass, vocals 
- Falk U. Rogner / organ, synthesizers 
- John Weinzierl / acoustic & electric guitars, vocals 
+
- Desmond Bonner / backing vocals 
- Keith Forsey / percussion 
- Peter Kramper / synthesizers 
- Olaf Kübler / percussion, saxophone




Hijack 1974
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
FAIXAS:
1. I can't wait part 1 + 2 (6:18) 
2. Mirror (4:21) 
3. Traveller (4:23) 
4. You're not alone (6:55) 
5. Explode like a star (4:00) 
6. Da Guadeloop (7:03) 
7. Lonely woman (4:44) 
8. Liquid whisper (3:24) 
9. Archy the robot (3:30)
Total Time: 45:27

MEMBROS:
- Chris Karrer / acoustic & electric guitars, violin, Soprano sax, vocals
- Renate Knaup-Krötenschwanz / vocals
- Peter Leopold: drums, percussion, acoustic guitar
- Lothat Meid / bass, acoustic guitar, vocals, string arrangements
- Falk U. Rogner / synthesizers
- John Weinzierl / acoustic & electric guitars
convidados
- Chris Balder / strings
- Thor Baldursson / keyboards
- Bob Chatwin / trumpet
- Lee Harper / trumpet
- Hermann Jalowitzki / snare drum
- Bobby Jones / sax
- Olaf Kübler / flute, Soprano sax
- Rudy Nagora / sax
- Ludwig Popp / Waldhorn
- Wild Willy / accordion, percussion, vocals




Made in Germany 1975
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
FAIXAS:
Record one: 
1. Overture (5:12)
2. Wir Wollen (1:32)
3. Wilhelm Wilhelm (3:10)
4. SM II Peng (2:16)
5. Elevators Meets Whispering (1:26)
6. Metropolis (3:37)
7. Ludwig (2:32)
8. The King`s Chocolate Waltz (2:28)
9. Blue Grotto (3:33)
10. Mr. Kraut Jinx (8:44)
Record two:
11. Wide Angle (4:06)
12. Three-Eyed Overdrive (1:17)
13. Emigrant Song (3:21)
14. Loosey Girls (5:13)
15. Top of the Mud (3:45)
16. Dreams (4:08)
17. Gala Gnome (3:52)
18. 5.5.55 (1:39)
19. La Krautoma (6:08)
20. Excessive Spray (1:41)
Total Time: 1:09:53

MEMBROS:
- Robby Heibl / bass, violin, acoustic & electric guitars, vocals 
- Chris Karrer / guitar, violin, banjo, vocals 
- Renate Knaup / vocals 
- Peter Leopold / drums, percussion 
- Falk U. Rogner / organ, synthesizers 
- Nando Tischer / acoustic & electric guitars, vocals 
- John Weinzierl / acoustic & electric guitars 
+
- Thor Baldursson / keyboards 
- Heinz Becker / percussion, tympani, gong 
- Lee Harper / trumpet, brass section 
- Bobby Jones / saxophone solo (2/4) 
- Jürgen S. Korduletsch / backing vocals 
- Helmut Sonnleitner / first violin




Pyragony 10th 1976
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
FAIXAS:
1. Flower of the Orient (6:00) 
2. Merlin (4:24) 
3. Crystal hexagram (5:38) 
4. Lost in space (4:12) 
5. Sally the Seducer (3:03) 
6. Telly vision (4:07) 
7. The only thing (7:30) 
8. Capuccino (3:08)
Total Time: 38:30

MEMBROS:
- Klaus Ebert / bass, acoustic & electric guitars, vocals 
- Chris Karrer / acoustic & electric guitars, violin, Soprano sax, vocals 
- Peter Leopold / drums 
- John Weinzierl / acoustic & electric guitars, vocals 
- Stefan Zauner / keyboards, acoustic & electric guitars, vocals




Almost Alive... 1977
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
FAIXAS:
1. One Blue Morning (7:30) 
2. Goodbye My Love (8:13) 
3. Ain't Today Tomorrow's Yesterday (7:40) 
4. Hallelujah (4:13) 
5. Feeling Uneasy (6:02) 
6. Live in Jericho (13:19)
bonus tracks on 2005 re-release
7. Cosmic Insects (6:11)
8. Live In Obergurgl (1:38)
9. Kitchen Jam (6:57)
Total Time: 1:00:26

MEMBROS:
- Klaus Ebert / bass, acoustic & electric guitars, vocals (1-2) 
- Chris Karrer / acoustic & electric guitars, sax, vocals (3) 
- Peter Leopold / drums 
- John Weinzierl / acoustic & electric guitars 
- Stefan Zauner / keyboards, synthesizers, vocals (5) 
- Claudja Barry / backing vocals (2) 
- Jörg Evers / string arrangements (3) 
- Keith Forsey / percussion (1)




Only Human 1978
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
FAIXAS:
1. Another morning (4:00) 
2. Don't turn too stone (3:50) 
3. Kirk Morgan (3:18) 
4. Spaniards & Spacemen (6:15) 
5. Kismet (7:50) 
6. Pharao (4:45) 
7. Ruby Lane (4:05)
Total Time: 33:54

MEMBROS:
- Klaus Ebert / bass, acoustic guitar, vocals 
- Chris Karrer / acoustic & electric guitars, violin, Soprano sax, vocals 
- Peter Leopold / drums 
- Stefan Zauner / keyboards, acoustic & electric guitars, vocals




Vortex 1981
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
FAIXAS:
1. Vortex (5:50) 
2. Holy West (5:09) 
3. Die 7 feten Jahr' (4:33) 
4. Wings of the wind (4:50) 
5. Mona (5:01) 
6. We are machine (5:16) 
7. Das Gestern ist das heute von Morgen (4:30) 
8. Vibes in the air (6:27)
Total Time: 59:51

MEMBROS:
- Renate Aschauer-Knaup / vocals, tambourine 
- Jörg Evers: bass, acoustic & electric guitars, 
synthesizer 
- Daniel Fichelscher / drums, acoustic guitar, percussion 
- Chris Karrer / acoustic & electric guitars, violin, saxes 
- Falk U. Rogner / synthesizers 
+
- Lothar Meid / bass (6) 
- John Weinzierl / guitar (7) 
- Stefan Zauner / piano, synthesizers




A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra.
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram 
como um dos grupos top da Alemanha.
Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia 
possamos apreciá-lo melhor.

A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio.
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". 
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, 
"Live in Tokyo" de 1996 
e "Flawless" de 1997.
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu 
para por mais vinagre nessa salada.
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas 
na simbologia mitológica alemã.
Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil 
e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual.

"Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema.
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais 
sentaram na mesma fila dentro de um cinema.

Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos.
Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado 
uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.



A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.
DISCOGRAFIA:
álbuns de estúdio
1969 - Phallus Dei
1970 - Yeti
1971 - Tanz der Lemminge
1972 - Carnival in Babylon
1972 - Wolf City
1974 - Vive La Trance
1974 - Hijack
1975 - Made in Germany
1976 - Pyragony 10th
1977 - Almost Alive
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.1978 - Only Human
1981 - Vortex
1995 - Nada Moonshine #
1996 - Kobe - Reconstructions
1996 - Eternal Flashback
1997 - Flawless
2009 - Bee As Such
2014 - Düülirium
ao vivos
1973 - Live in London
1992 - BBC Radio 1 Live In Concert
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.1996 - Live in Tokio
boxset & compilações
1975 - Lemmingmania
1975 - Made in Germany (1 lp) 
1989 - Milestones
1992 - Surrounded by the Bars
1995 - The Greatest Hits
1997 - Drei Jahrzehnte
1997 - The Best of Amon Düül II (1969-74) 
1999 - The UA Years: 1969-1974 
A banda "Amon Düül II" (ou "Amon Düül 2") é considerada uma das raízes do movimento Krautrock alemão, foi formada em 1969 depois que "Chris Karrer" (violino, guitarra, guitarra 12 cordas, sax soprano e vocais) pulou fora da primeira "Amon Düül" (banda formada em 1967), que era uma comunidade e estava cada vez mais politizada, "Chris Karrer" estava muito mais voltado para o poder da música do que o da política. Em algumas entrevistas ele fala inclusive da obrigação de prestar contas de tudo o que fazia para a comunidade e até de aspectos bem bizarros, como ser cobrado por não fazer sexo com as moças com a freqüência exigida. Sexo à parte, "Karrer" acabou caindo fora da comuna formando uma dissidência musical que deu início ao "Amon Düül II", junto com "Renate Knaup" (vocais e tamborim), "Lothar Meid" (baixo e vocais), "Peter Leopold" (bateria), "John Weinzierl" (guitarra e vocais), "Christian Strat Thiele" (bongos, violino e vocais) e "Danny Fischelscher" (bateria e congas). A banda assinou com a Liberty e a estréia dessa formação no vinil foi o grande "Phallus Dei" de 1969, uma das pedras fundamentais do space-rock, levando ao extremo o que bandas como "Pink Floyd" e "Jefferson Airplane" apenas esboçaram até aquele momento. A sequência foi "Yeti" de 1970, um álbum duplo, hipnótico, psicodélico até as entranhas. Com toda a certeza um dos primeiros assaltos sônicos registrados em vinil. Neste disco encontram-se a totalmente maníaca “Soup Shop Rock” e a devastadora “Archangel Thunderbird”, três minutos e meio de blitz sonora bem ao estilo alemão, com um duelo de guitarras injetando doses maciças de adrenalina em nossos corpos. Lá pelo final de 1970 "Peter Leopold" teve uma recaída e retornou para a comunidade original do "Amon Düül", participando do LP "Paradieswarts Düül" um álbum que não se pode dizer que é rock, mas um folk tranqüilo e de uma beleza surpreendente, porém sem grande futuro. Álbum lançado, "Peter Leopold" caiu na real e voltou correndo para o "Amon Düül II". Em 1971 surge "Tanz Der Lemminge", o terceiro álbum do "Amon Düül II", também duplo e igualmente um clássico, agora diante de um épico da ficção científica, escrito com instrumentais extraterrestres ao longo de seus quatro lados. Um disco que virtualmente explodiu as mentes alemãs e fez o que nem milhares de toneladas de bombas nazistas conseguiram: conquistou a Inglaterra. Uma turnê pela ilha de sua majestade foi prontamente planejada, mas parece que o som da banda não produzia faíscas apenas nos ouvidos da platéia, durante uma apresentação preliminar em Colônia, um incêndio destruiu todo o equipamento do grupo e o jeito foi ficar em casa mesmo. Bom, fica para a próxima, eles pensaram. Mas a coisa novamente não deu certo quando a união dos músicos ingleses vetou o visto de trabalho da banda no país. E a frustração foi grande porque algumas mudanças de pessoal se fizeram notar no próximo trabalho da banda, "Carnival in Babylon" de 1972, agora pelo selo United Artists, este disco marca o início de uma guinada no som, menos psicodélico e mais progressivo. As guitarras e os vocais são excelentes e fazem do álbum um registro marcante da união do grupo para superar a má sorte e acabar com todas as crises internas. As boas vibrações e a energia positiva acumulada não tardaram a apresentar suas conseqüências, o fantástico "Wolf City", também de 1972, saiu dos estúdios e o grande "Amon Düül II" entrou na Inglaterra, com direito ao tapete vermelho da crítica e as boas-vindas de uma verdadeira legião de fãs ingleses. O sucesso foi tão grande que mais duas excursões se sucederam e um álbum foi registrado só na Inglaterra, uma edição limitada chamada "Live in London", lançado em 1973. Por essa época o grupo tinha "Chris Karrer" (guitarra, violino, sax e vocais), "Danny Fichelscher" e "Peter Leopold" (percussão), "Lothar Meid" (baixo), "Renate Knapp" (vocais) e "Falk Rodger" (teclados). Com essa formação eles gravaram um novo álbum, "Vive la Trance" de 1974, e se estabeleceram como um dos grupos top da Alemanha. Comparado a "Wolf City", "Vive la Trance" foi um álbum mais refinado, porém intencionalmente muito mais comercial, principalmente no lado B, onde quatro músicas nos fazem duvidar que esse seja um disco genuinamente "Amon Düül II". Foi, de certa forma, uma ducha de água fria a quem esperava outra obra prima do grupo, embora com os ouvidos condescendentes de hoje em dia possamos apreciá-lo melhor. Por volta de 1973, "Lothar Meid" tirou uma licença do grupo para se dedicar a outros projetos, participou da formação do grupo "18 Karat Gold" (Achtzehn Karat Gold) e o lançamento de "Utopia", uma espécie de álbum solo, mas assistido por vários membros do "Amon Düül II" e de outro grupo alemão, o "Embryo". Neste disco particularmente o trabalho vocal de "Renate Knapp" é maravilhoso. A volta de "Lothar Meid" se deu no álbum "Hijack" de 1974, que parece ter colocado o "Amon Düül II" de novo nos trilhos. O som voltou a despertar para o espacial e as letras de "Chris Karrer" retomaram sua famosa temática de ficção científica. "Lemmingmania" saiu também por essa época. Trata-se da melhor entre as várias coletâneas lançadas pela banda, cobrindo a época pós "Phallus Dei" até "Wolf City", juntando no formato 12 polegadas todos os lados A e B dos singles lançados pela banda. São versões variando entre 3 e 4 minutos, mostrando que o grupo também tinha excelente potencial para tocar no rádio. Apesar do sucesso internacional do "Amon Düül II", era hora da banda provar mais uma vez suas origens essencialmente germânicas. "Made in German" foi para as ruas como a primeira ópera rock teutônica, contando a história da Alemanha desde os dias do rei "Ludwig" da Bavária até o negro período nazista com uma boa dose de ironia e dramaticidade. Um disco duplo realmente ambicioso, forjado por uma banda ávida por reviver seus primeiros tempos de "Yeti" e "Tanz der Lemminge". O problema é que aqui o amadurecimento técnico dos músicos fez perder parte da ousadia inicial. De toda forma, podemos dizer que "Made in German" foi o último grande trabalho do "Amon Düül II". Infelizmente, como aconteceu com muitos outros grupos alemães que sentiram a guinada da música pop mundial para um som mais dançante e descartável, os próximos discos do "Amon Düül II" ao longo da década foram se tornando cada vez mais uma sombra dos dias de glória, com vários membros, como "Renate Knaup", debandando de vez. Houve ainda uma tentativa de reunião para o álbum "Vortex" de 1981 e, após mais um longo intervalo, o "Amon Düül II" voltou em toda a sua majestade para os discos "Nada Moonshine" de 1995, "Live in Tokyo" de 1996 e "Flawless" de 1997. Para finalizar, vale a pena gastar algumas palavrinhas para comentar uma tentativa de resgate do nome "Amon Düül" nos anos 80 por dois ex-membros das várias formações da banda, o guitarrista "John Weinzierl" e o baixista "Dave Anderson". Por estar baseada na Inglaterra, ela ficou conhecida com "Amon Düül (UK)", mas na realidade a coisa é meio confusa porque "Anderson", com o desconhecimento de "Weinzierl", andou lançando alguns álbuns com capas ostentando fotos de "Karrer", "Knaup" e "Falk" no final dos anos 60. Uma picaretagem sem tamanho, que só serviu para desgostar os membros originais do grupo. Como resultado, tanto o guitarrista, que alegava não ter nada a ver com o peixe, quanto o baixista foram condenados ao ostracismo. "Anderson" até lançou um disco como "Amon Düül" junto com o letrista do "Hawkwind", "Bob Calvert", um pouco antes deste morrer. Neste disco também toca o lendário guitarrista do "Groundhogs", "Tony MacPhee", o que só contribuiu para por mais vinagre nessa salada. A capa do segundo disco do "Amon Düül II", "Yeti" de 1970, é um dos maiores ícones do krautrock. Ironicamente, ela mostra a foto de um membro da primeira comunidade "Amon Düül" um bom amigo de "Renate" e "Chris" que não quis se juntar aos dois quando estes caíram fora da comuna em 1968. O nome da figura era "Wolfgang Krischke" e ele morreu dois meses depois da formação da banda, congelado na neve após uma trip de ácido na casa de seus pais. A idéia de usá-lo na capa foi do supervisor artístico e eventual tecladista "Falk Rogner", que selecionou uma foto onde "Krischke" posa de vestido segurando uma foice, numa alegoria a "Der Schnitter", O Ceifador, aquele que ceifava a vida das pessoas na simbologia mitológica alemã. Apesar do sucesso que o "Amon Düül II" alcançou na Europa, eles nunca emplacaram nos EUA. O primeiro disco da banda a pisar em solo gringo foi "Dance of the Lemmings" (Tanz Der Lemminge), alguns meses depois do lançamento americano do álbum "Psychedelic Underground" do primeiro "Amon Düül" pelo selo Prophesy. Isso causou a maior confusão na cabeça pequena dos americanos que não conseguiam entender dois álbuns tão diferentes, mas de bandas com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, a crítica especializada do país do sr. "Nixon" manteve-se sempre caladinha em relação a qualquer evolução musical que não fosse americana ou no máximo inglesa. Outra prova da “genialidade” americana foi a do lançamento do disco "Made in Germany". Os executivos da United Artists simplesmente cortaram o disco duplo pela metade, pois ele falava de nazismo e isso era tabu para os ouvidos ianques. Essa inclusive foi a versão que saiu no Brasil e desfigurou completamente um ótimo disco conceitual. "Amon Düül II" vs "Can". Coisa de cinema. Nem tudo era solidariedade na incipiente cena do rock alemão. No começo dos anos 70, limitados geograficamente dentro de um país do tamanho de Minas Gerais e acostumados a tocar juntos em festivais locais, as bandas ainda achavam espaço para os dissabores. Um bom exemplo disso foi causado pelo grupo "Can", outro baluarte do krautrock. Numa época onde o cinema underground alemão ganhava a cena, diretores como "Winn Wenders" e "Fassbinder" procuraram os jovens grupos de rock alemães para participarem das trilhas sonoras de seus filmes. Numa reunião entre as bandas ficou acertado de que eles cobrariam 10% da bilheteria arrecadada pelos filmes, porém o "Can" resolveu boicotar essa decisão e foi aos diretores dizendo que não importava o quanto os outros grupos pedissem, eles fariam por menos. A conclusão você pode conferir no segundo disco do "Can", "Soundtracks" de 1970, só de trilhas sonoras feitas pela banda. Depois disso, "Amon Düül II" e "Can" nunca mais sentaram na mesma fila dentro de um cinema. Isto é só para desencargo de consciência. Se você ouvir a voz de "Renate Knaup" nos primeiros discos do "Amon Düül II" e compará-la aos trabalhos solo da sra "Lennon", fatalmente vai constatar que são vozes gêmeas. Impressionante como os trinados Onomatopéicos encontravam eco nos gargarejos Knaupianos. Volto a dizer que o "Amon Düül II" é considerado uma das raízes do movimento Krautrock alemão, recomendo.2000 - Manana - The Complete BBC Recordings
2001 - Once Upon A Time - Best Of 1969 - 1999
2005 - Anthology

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